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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Vingança ou Justiça

Eu não sei se eu sou tão diferente assim, não sei se era necessário que acontecesse daquela forma, mas só quem sofreu deve entender o que estou falando. Alguns podem dizer que isso seja loucura demais para apenas um cérebro (esses já eram), mas eu não me digo vingador, digamos que justiceiro.
Como uma conta que ainda não foi e terá que ser paga cedo ou tarde, mas a dor que todos eles sentiram foi tão rápida comparada a toda minha, que dói até agora. Eu ainda vou construir um lugar sem esses insetos, nem que eu me sacrifique o máximo por isso.

sábado, 19 de maio de 2012

Amor é para sempre

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Como não amar uma cidade onde um McDonald’s faliu?

Eu olindo, tu olindas, ele olinda. Nos domingos, nós olindamos.
Descobri que Olinda era verbo quando dei uma carona para o músico Erasto, irmão do percussionista Naná Vasconcelos. O irmão menos famoso do clã dos Vasconcelos escolheu a cidade alta para passar seus dias. Por lá escreveu o guia “das Olindas” que diz assim:
“Subi Mercado da Ribeira
Desci largo de São Bento
No largo do Varadouro
Na Praça do Jacaré
Afoxé, afoxé
Olinda mandou me chamar”
E, enquanto cantarolava no carro durante a carona, avisou: “pode me deixar nos Quatro Cantos mesmo, estou precisando Olindar”.
E como não amar a única cidade no mundo onde um McDonald’s faliu?
Olinda é mesmo uma cidade estranha. E isso me faz lembrar um causo, passado numa segunda-feira chuvosa num bar da cidade histórica. E esse conto, caro leitor, não se passou com a amiga da prima da minha sogra, não. Foi comigo mesmo que aconteceu, por isso posso atestar de pés juntos, a estranheza do acontecido.
Lá estávamos nós, amigos boêmios, numa festinha regada a jazz na sede da Pitombeira (bloco famoso nos dias de Carnaval). Entre uma música e outra, rolou um zum zum zum, à boca miúda, de que naquela mesma festinha estava Matt Dillon (ator famoso das bandas de Hollywood).
- Matt quem? É aquele que fez Supremacia Bourne?
- Não, é o do filme Crash, no Limite. Aquele do Oscar, pô.
Passada a confusão para diferenciar Matt Dillon de Matt Damon (americano é tudo igual) e Brad Pitt de Tom Cruise (que no calor na discussão, entraram na conversa sem ter nada a ver com o assunto), confirmamos a presença do famoso no local. Sim, era ele.
A notícia, que tinha potencial para se transformar em euforia, autógrafos e briga por fotos em qualquer lugar do mundo, parou por aí. É de Olinda que estamos falando, afinal de contas. Ninguém, repito, ninguém no recinto abordou o cara. Matt ficou lá; sozinho, carente.
O desprezo pelo moço chegou a tal ponto que ele teve que tirar fotos dele mesmo no balcão do bar. Deu até pena (dó, na linguagem do Sul, porque quem tem pena é galinha). Mas a atitude blasé dos olindenses dizia “Pra que Matt se a gente tem Erasto?”. Que mais além se transforma em “pra que McChicken, se aqui tem tapioca?” ou “pra que badalar, se a gente pode Olindar”?
O fato, meus amigos, é que Olinda não é uma cidade, é um estado de espírito. E ai dos turistas que passam rápido demais, tiram fotos demais, compram bugingangas demais e nem têm tempo de conjugar o verbo Olindar. Desses dá pena, de verdade.

Escrito por Téta Barbosa.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Morosité

Ele não poderia mais ser visto como um doido, ele não poderia mais ser visto como nada, apenas um peso morto ou um ex-louco quem sabe. Ele tinha um talento superior em alternar suas emoções sejam pessoalmente ou pela internet, afinal, um cara sem amigos deveria ter muitos outros amigos na web, porém é um fracasso maior ainda, escreve em um blog que ninguém lê, um conteúdo chato para a maioria e pessoal demais.
Apesar de tudo além do que havia digitado, existia um homem que teve sonhos, que teve um coração igual ao de todo mundo e que agora escrevia textos subliminares, com a intenção de quando estiver piscologicamente melhor, ou feliz, ler e interpretar sua própria mente com visões diferentes. Consequência disso tudo é esse trauma, essa ânsia do triste, desconhecido e do indesejado. E todas as vezes que ele foi ignorado, que ele falou e ninguem ouviu, ficou gravado em sua mente que ele deveria ser igual a todos os outros, ele imaginava que todos estavam doentes, ou era apenas ele que pensava diferente demais e isso lhe soava estranho.
Mas descontrolado e sem opção ele cresceu numa cadeia circular alienada e antes de notar os impactos de não se influenciar por nada. Viveu uma cultura independente, nota-se facilmente seu coração docil e suas atitudes pensatens demais. Era natural, aquele garoto que escondia a tristeza nos sorrisos, sorrisos que jamais foram falsos, incrivelmente eram mais que puros.
Jamais conheceu o amor, nem os pais nem ninguem sabiam ensinar, chegou até a pensar que todos não conheciam o significado. Creio que foi assim que ele aprendeu a amar (de seu jeito), apegando-se as pessoas erradas, rejeitando aqueles que se declaram facilmente, namorando a margem da sociedade,era a prova incompreesivel de amar os inaceitáveis. Por isso o silêncio, por isso a mente fechada, por isso o antissocialismo, ou até a socialização demais. Até se autodiagnostificava inamável. Antes de morrer ele escrevia durante mais uma discursão dos pais, mais uma folha que ao fim seria rasgada pra ninguem ler. Dizia algo assim:

"Meus pais são a prova viva de um casamento sem amor, que só aconteceu porque ele engravidou ela aos dezessete anos e este filho caiu para jogar à face de todos que o amor existe.Pareço triste, vê-los discutindo por coisas inexistentes, fica a perceber que é tudo culpa dos filhos, tudo minha culpa, isso se resolveria se cada um buscasse sua felicidade, ou se eu não existisse. Eu poderia morrer, eu poderia fugir... Agradeço tudo que aprendi com eles, mas amar jamais poderão me ensinar, como diz meu pai 'Eu só estou com você por causa dos meus filhos.' Uma lagrima a mais uma lagrima a menos, nem meu cerebro, nem meu coração sabem o que fazer, eu posso fugir, eu posso mentir, eu posso me esconder (e nada disso funcionaria, a quem estou enganando?), ou eu poderia morrer e acabar com isso tudo de uma vez, acabar com essa farça."

E foi assim que ele desapareceu para muitos e ficou na memória de poucos, deixou vários rastros despercebidos da influencia das aulas de literatura e filosofia. Ele não dizia nada sobre momentos bons, não era masoquista, para ele tudo foi ruim, não desejava nada disso, achar que superou mais uma vez não foi a solução, precisava morrer para mostrar o que estava sentindo, fechar os olhos, ouvidos e boca para sempre debaixo da terra, bem longe da violência e do desprezo.
 
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